O cenário dos investimentos e do mercado no fim de 2018

O cenário dos investimentos e do mercado no fim de 2018

O final do ano vem chegando para brindar um último bimestre extremamente agitado, tanto no cenário doméstico quanto no cenário internacional. As questões externas passam pela trégua da guerra comercial entre EUA e China, pela volatilidade do petróleo, pelo discurso mais ameno por parte do presidente do FED e pelo BREXIT (saída do Reino Unido da União Europeia). Internamente, o mercado aguarda pela posse do novo presidente e, principalmente, pela reforma da previdência.

Muito foi comentado sobre o que poderia acontecer no encontro do G20 que ocorreu na Argentina. Os especialistas políticos acreditavam que alguma resolução sobre a guerra comercial entre EUA e China era extremamente difícil, dados os últimos posicionamentos do presidente Trump. No entanto, o resultado pegou o mercado de surpresa! Foi estabelecida a suspensão do governo americano por três meses (a partir de 2019) da tarifa de 25% que incidiria sobre US$200 bilhões em produtos chineses e um comprometimento do governo chinês em reduzir o déficit na balança comercial americana. A consequência desse acordo é benéfica em vários sentidos, mas uma é bem clara:

- com a tarifação, os preços de vários produtos poderiam subir, impactando ainda mais a inflação nos EUA. Como o remédio ortodoxo para aumento de inflação é o aumento da taxa de juros, que consequentemente tem impacto negativo em investimento e crédito, isso poderia afetar a atividade econômica nos EUA. E é fato que, se os EUA crescem menos, o resto do mundo acaba sendo impactado na mesma direção!

Não foi à toa que os mercados abriram na segunda-feira seguinte em forte alta! Tal notícia veio logo depois de o presidente do Banco Central americano dar indícios de que a subida da taxa de juros básica nos EUA estaria próxima do fim.

Além disso, algumas outras "pendências internacionais" também começaram a ser resolvidas. O Reino Unido parece finalmente a um passo de sair da União Europeia e os preços de petróleo parecem ter chegado em um suporte de US$60,00 o barril.

Será que teremos uma virada de ano mais calma? Se antes o cenário internacional causava muita incerteza, agora pelo menos ele parece dar uma trégua.

Enquanto isso, no cenário doméstico, o mercado está em compasso de espera. Muita dúvida paira sobre o novo governo de Bolsonaro. Na parte econômica, não há nenhuma desconfiança em relação aos nomes e à tendência mais liberal da equipe. O que intriga o mercado é se há força para fazer os projetos importantes passarem pelo congresso. O medo mora aí...

Todos esses pontos levantados têm uma capacidade enorme de influenciar a nossa bolsa, mas não tem nada que seja mais relevante para a economia brasileira que a reforma da previdência neste momento! Por quê? Porque existe um problema fiscal enorme em que os gastos públicos são maiores que as receitas e, para financiar isso, estamos emitindo dívida, de tal forma que o percentual dívida pública / PIB já superou os 70% e espera-se que supere os 80% em pouco tempo. Esse dado fica ainda pior se o denominador (o PIB) sobe muito pouco ou cai, que foi o caso da recessão profunda que tivemos em 2015 e 2016.

E o que os investidores fazem enquanto a reforma não sai? Eles esperam... Esperam para aumentar a produção, para aumentar uma fábrica, para comprar novos negócios... Esperam para investir! E qual o resultado disso? A economia não acelera! E há um motivo para isso, pois, se o país não fizer a reforma, a dívida vai aumentar e a consequência é uma inflação mais alta e um crescimento menor. Percebe o ciclo? Neste caso, é um ciclo vicioso, mas a reforma da previdência pode gerar um ciclo virtuoso!

E é por isso que não há nada mais importante para os investidores de uma forma geral, agora. A chance de ela de fato ocorrer em 2019 é muito grande, pois nenhum presidente quer ver estourando no seu colo um país com mais inflação e menor crescimento.

Quais investimentos poderiam ser positivamente afetados com uma boa reforma da previdência sendo sancionada?

1- Ações: dada a expectativa do ciclo virtuoso, as empresas seriam positivamente impactadas, o que possibilitaria uma subida no preço das ações de um modo geral. Esse é o mercado mais arriscado, mas é o que poderia trazer mais retornos também.

2- Títulos públicos prefixados: se a dívida esperada passa a ser menor, o tesouro tem condições de negociar taxas de juros menores; logo, quem contrata esse tipo de título antes acaba se beneficiando.

3- Fundos de Ações: impacto no mesmo sentido das ações. A diferença é que, no fundo, há gestores qualificados para fazer a seleção dos ativos nos quais se pode ficar alocado.

Outros investimentos também poderiam ser impactados positivamente, mas os mencionados seriam os mais evidentes. Por outro lado, se a reforma da previdência não ocorrer, estes investimentos também poderiam ser os mais afetados negativamente.

E aí? Preparado(a) para se posicionar para os próximos eventos? A alocação da sua carteira de investimentos está correta?