Ah, se eu soubesse

Todo mundo que já passou de certa idade (talvez 30 anos seja o número mágico) já olhou para trás e pensou no que faria diferente em sua vida. Calma, não vou tratar de relações pessoais e decisões profissionais. Minha proposta aqui é revisitar minhas e, possivelmente, suas escolhas financeiras, contando agora com a grande vantagem da experiência acumulada.

Quando se tem vinte e poucos anos, o mês que vem já é um futuro muito distante. Imagine planejar seus próximos 20 ou 30 anos. Poucos jovens conseguem ter essa visão de longo prazo, exceto os que foram educados financeiramente pelos pais ou que já trabalham em alguma instituição financeira. O ambiente os fará acordar para a necessidade de economizar e investir, preparando um futuro rico.

Listei quatro mudanças que faria na minha vida financeira se pudesse voltar no tempo. Acho que pode ajudar os que estão começando. Vamos lá!

Divida em caixinhas

Em primeiro lugar, se eu soubesse no passado o que sei hoje, dividiria meus ganhos em dois: dinheiro para curtir a vida e dinheiro para um futuro tranquilo.

A caixinha de gastos com os prazeres de curto prazo não pode conversar com a caixinha de longo prazo. Uma não se mete com a outra. Não queremos abrir mão da diversão da vida, mas não dá para pensar somente no agora.

Os salários são mais baixos quando estamos começando nossas carreiras. Por mais que os gastos também sejam menores, pois muitos moram com os pais, o que sobra no fim do mês é pouco. E os rendimentos em cima de pouco é, obviamente, pouco também. O retorno baixo pode desestimular, mas, neste momento, trata-se de um exercício de disciplina. Poupar e investir. Poupar e investir. Todos os meses. Por anos!

E, se resolver economizar para comprar um carro, em que caixinha este dinheiro entra? Na minha opinião, vale colocar na caixa de curto prazo ou até criar uma terceira caixa. A pior opção é usar as economias que servirão para o seu futuro tranquilo. Algumas pessoas usam uma caixa para gastos essenciais (moradia, educação, alimentação), outra para lazer e uma terceira para investimentos/futuro. Acho boa ideia também usar três, se o jovem contribui com as despesas da casa dos pais ou já mora sozinho.

Escolhas de consumo mais inteligentes

Boa parte do que gastei na minha vida era desnecessário. Não me refiro a supérfluos que nos dão prazer, mas às compras que foram apenas impulsos. Poderia ter vivido perfeitamente sem aquilo. Então, a experiência me faz dizer: gastem apenas com o necessário! Não adianta querer ter muito agora e muito lá na frente também. A não ser que seja um gênio que, aos vinte anos, já montou uma startup que vale milhões ou é um herdeiro. 

A conta é simples: se gasta mais do que ganha, terá um modelo deficitário. Não juntará dinheiro e ainda precisará pedir dinheiro emprestado. Se as receitas são iguais às despesas, não juntará dinheiro para investir. A conta só fica saudável se o dinheiro que você ganha é maior do que seus gastos. Sobrará dinheiro para investir e acumular riqueza.

Uma boa dica é sempre questionar o gasto. Deixe passar um tempo, adie a compra. Se a ideia continuar fazendo sentido, compre. Caso contrário, era apenas um impulso.

E existe a compra por status, na qual adquirimos algo acima das nossas possibilidades para sermos admirados ou aceitos em algum grupo. Esqueça isso, seu consumo tem que ser do tamanho de suas posses. Comprar o último Iphone ao invés de investir em um curso ou juntar mais dinheiro é algo que eu não faria.

Tome mais risco

Ok, é importante seguir seu perfil de investidor. Se é conservador, não faz sentido alocar 100% do seu capital em ações. Da mesma forma que investidores de perfil agressivo com participação grande em ativos de renda fixa não terão o alinhamento desejado. Mas a idade joga a favor. Quem tem um longo horizonte pela frente pode se dar ao luxo de arriscar mais. Terá tempo de se recuperar. Isso faz total sentido em uma carteira de ações ou fundos de ações. Períodos de queda acontecerão, mas a possibilidade de, no longo prazo, ter ganhos é enorme, seja pela valorização das ações (ou das cotas dos fundos) ou pelos dividendos (parte dos lucros das empresas) recebidos.

Pense nos seus investimentos como algo que irá valorizar seu dinheiro no longo prazo. Não seja imediatista. É uma maratona, não uma corrida de 100 metros.

Ativos de renda variável rendem mais, teoricamente, porém embutem a volatilidade que os ativos de renda fixa não possuem. Isso significa que poderá perder dinheiro no curto prazo ao investir em renda variável, mas esse tipo de aplicação poderá turbinar seu capital no longo prazo. Quer previsibilidade? Para retornos constantes, invista em títulos públicos/privados ou fundos de renda fixa.

Trate seu dinheiro com respeito

Quero dizer: gaste com sabedoria, economize e invista. Esses três passos precisam de dedicação. Gastar uma parte do seu tempo em estudar as melhores formas de conduzir a sua vida financeira. Veja vídeos, leia artigos, conte com o apoio de quem entende mais do que você sobre o assunto.

Ao aprender mais sobre finanças pessoais e investimentos, ficará mais claro o que fazer para ter uma vida bastante confortável e, muitas vezes, rica mesmo. Lembre-se de que o que importa não é o quanto se ganha, mas o quanto se gasta.

Diversifique seus investimentos, colocar todos “os ovos na mesma cesta” não o protegerá das variações do mercado e não buscará ganhos mais expressivos que a renda variável permite. Existe uma expressão que gosto muto: dinheiro não aceita desaforo! Trate-o com a importância que ele merece, pois no futuro ele trabalhará por você.

Bom, para finalizar, se eu pudesse voltar no tempo, começaria a buscar conhecimento sobre finanças e investimentos o quanto antes, economizaria mais e teria um pensamento de longo prazo.

Ótimos investimentos e até a próxima!

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