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Os Segredos De Uma Carteira De Ações Resiliente

por Victor Veloso

Perdeu muito dinheiro em ações no crash do novo coronavírus? E se eu lhe dissesse que poderia ter tido uma carteira na qual a perda teria sido bem menor que a do mercado? Veja bem, não estou falando de uma carteira diversificada em dólar e ouro, mas, sim, uma carteira forte contra quedas, composta apenas de ações. Neste artigo, vou lhe mostrar os segredos da construção de uma carteira de ações mais defensiva e resiliente em tempos difíceis.

Como construir essa carteira resiliente e forte em tempos de crise? Existem diversos caminhos, mas o que eu gostaria de focar é em uma carteira que possua um beta pequeno, menor que 1. Mas, afinal, o que é esse tal de Beta? É um indicador estatístico que vai lhe mostrar a relação do retorno da sua carteira com o mercado, de forma geral. Pode ficar tranquilo que não focarei na matemática, mas, sim, em como interpretar esse indicador e como o usar para montar uma carteira de ações resiliente.

Para ficar mais clara a definição mencionada, vamos usar um exemplo. Imagine o seguinte cenário: você tem uma carteira de ações ou mesmo uma única ação na qual o Beta dela seja de 1,1 e que o mercado tenha subido 10%. Mas, afinal, o que isso representa? Esse beta de 1,1 está nos dizendo que, nesse exemplo, o mercado (Ibovespa) subiu 10% e a nossa carteira de ações ou a nossa ação selecionada subiu 1,1x mais do que o Ibovespa. A princípio parece muito bom, não é mesmo? Porque isso acaba representando um retorno de 10% a mais do que o Ibovespa, ou seja, essa carteira teve uma rentabilidade absoluta de 11%. Em contrapartida, imagine agora que o mercado caia 10%. Sua carteira ou ação cairá 1,1x a mais do que o mercado. Nesse sentido, cairá 10% a mais que o Ibovespa, o que representa uma queda absoluta de 11%. Vale lembrar que o beta é um indicador dinâmico, ou seja, ele varia ao longo do tempo. Entretanto, não costuma variar drasticamente, então saber o Beta pode lhe dar uma boa noção de como sua carteira irá se comportar ao longo do tempo.

Agora que você sabe o que significa o Beta, é muito importante entender o que pode influenciar esse indicador. Com alguns critérios, você teria uma probabilidade alta de conseguir selecionar as ações com Betas menores, o que caracteriza uma carteira defensiva. Nesse sentido, separei aqui alguns pontos críticos e essenciais que você deveria considerar na hora de escolher um ativo para a sua carteira, pois influenciarão justamente no Beta, e, por consequência, nas oscilações da sua carteira. Não estou afirmando que o que vou lhe mostrar é algum tipo de “santo graal” dos investimentos, mas, sim, questões relevantes que você deveria utilizar como filtro na hora de escolher suas ações.

O primeiro ponto que deveria analisar bem é a alavancagem e o endividamento da empresa que você está pensando em comprar. Quando a empresa tem a característica de possuir muitas dívidas, o mercado a precifica como um ativo de maior risco. Nesse sentido, a cotação tende a oscilar muito mais do que a média do mercado. Isso ocorre porque, se os investimentos desta empresa derem certo, os ganhos pelo fato de estar alavancada serão muito elevados. Em contrapartida, se algo der errado e a empresa não tiver o retorno planejado, terá um déficit muito grande. Dessa maneira, empresas alavancadas tendem a oscilar mais que o mercado e, assim, terem betas elevados (>1). Se você deseja ter uma carteira resiliente, certamente, deveria repensar se vale a pena incluir esse tipo de empresa.

Depois de verificar o endividamento da empresa, é fundamental que verifique se a empresa possui alta previsibilidade de lucros futuros. Isso é, sem dúvida, um fator que dará muito mais segurança para sua carteira. Empresas sólidas no mercado, que possuem essa característica, tendem a apresentar um Beta menor que 1. O racional é o seguinte: se você tem previsibilidade razoável de retornos futuros de uma empresa, automaticamente ela possui um risco menor. Nessa perspectiva, o mercado precifica a ação de acordo com essa característica, o que resulta em um ativo de Beta menor, logo, um ativo que tem menor sensibilidade ao mercado de forma geral.

Existem também ações ou carteiras que podem ter o valor do Beta negativo. Dessa maneira, esse tipo de ação tem uma correlação diferente do Ibovespa, pois são impactadas por outras variáveis, como o dólar, e não necessariamente são mais alavancadas ou inseguras. Entretanto, o conteúdo desse artigo está focado apenas nas ações que se correlacionam positivamente com o Ibovespa.

Diante desse panorama, fica evidente que, apesar de não ser muito conhecido, o indicador estatístico Beta é de extrema importância. É ele quem nos mostrará a sensibilidade de um ativo ou de uma carteira em relação ao mercado de forma geral. Além disso, conseguimos ver os principais fatores de uma empresa que influenciam no valor do Beta. Se ficou interessado nesse assunto e gostaria de saber como calcular o Beta para investir em ações de forma mais segura, então participe da assessoria de investimentos do Portal do Investimento. Ela é 100% gratuita e nosso time de assessores poderá lhe auxiliar em eventuais dúvidas.

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Victor Veloso

Victor Veloso

Victor Veloso é sócio do Portal do Investimento e atua no núcleo de renda variável e mesa de operações.