Perdi a fome!

Neste último fim de semana, sentei para calcular os meus gastos do mês de agosto e notei que um percentual bem relevante do orçamento foi usado nos restaurantes aqui perto do escritório. É claro que já imaginava que seria um valor alto, mas o resultado ultrapassou as minhas expectativas e me deixou um pouco preocupado. Fui estudar um pouco mais sobre o tema e descobri algumas curiosidades bem interessantes!

Segundo dados do IBGE, 34% da população brasileira possui gastos com alimentação fora de casa. Na maioria das vezes, esse gasto ocorre no horário de almoço e durante a semana, quando as pessoas vão a restaurantes próximos ao trabalho. Esse realmente não é um custo essencial, pois podemos levar comida de casa e, portanto, é totalmente sensível à expectativa de renda do consumidor. Ou seja, em momentos de maior incerteza sobre o recebimento da renda (salário, por exemplo), menor é o valor gasto por pessoa com itens que não são essenciais.

Nos EUA, existe o Índice de Performance de Restaurantes, em que é medida a taxa de ocupação desse setor do comércio desde 2002. Historicamente, quando a performance desse índice cai, ocorre uma desvalorização dos mercados de capitais em seguida.

Em 2007, ano que precedeu uma das maiores crises mundiais, a do mercado imobiliário americano, o índice de restaurantes retraiu fortemente, enquanto a bolsa local renovava máximas em sinal de otimismo. Veja nos gráficos abaixo:

S&P 500 - Principal índice de ações americano.
Gráfico S&P 500 - Principal índice de ações americano.
RPI - Índice de Performance de Restaurantes
RPI - Índice de Performance de Restaurantes. Fonte:National Restaurant Association

Bom, o fim dessa história todos nós já sabemos. Mas qual é a correlação que esse índice tem e como podemos observar isso na nossa vida?

Somos mais sensíveis às variações de preço no mercado. Se o custo de um bem ou serviço supérfluo aumentar de forma brusca, vamos perceber rapidamente e já planejar uma redução ou corte desse gasto. Não precisamos esperar um dado de inflação ou de declínio da economia para nos movimentar. Com isso, esses índices, muitas vezes, conseguem gerar sinais bem antecipados.

Esse tipo de movimento não é exclusividade dos restaurantes. O economista Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central americano, observou essas mesmas características no consumo de cuecas. O princípio que Greenspan usa é o mesmo. Ele ainda ressalta que, como cueca é algo que ninguém vê, não haveria necessidade de comprar uma nova em momentos de maior instabilidade financeira. Faz sentido.

Um outro estudo interessante é o da caixa de papelão. Se notarmos que a maioria das encomendas mundiais são entregues embaladas nessas caixas, quando a demanda por esse item cai vertiginosamente, evidencia um sinal bem forte do desaquecimento do mercado, principalmente do varejo. A Amazon, por exemplo, uma das maiores varejistas do mundo, entrega todas as suas vendas embaladas em papelão, o que o torna um termômetro bem importante.

Os mercados são cheios de curiosidades e conseguimos encontrar vários índices e estratégias bem criativas, que, na maioria das vezes, demonstram boas correlações com o movimento macro da economia.

Estar sempre atento ao andamento e desenvolvimento de sua comunidade (onde mora e trabalha, por exemplo) é um grande aliado dos investidores, não apenas em momentos pré-crise, mas também para uma análise menos eufórica dos fatos quando o mercado apresenta uma grande valorização. Por outro lado, períodos de depressão ou desvalorização de ativos podem apresentar oportunidades de entradas a preços mais atraentes. Se possui ações de uma boa empresa, que, no momento, está mais barata, por que não comprar mais ações? Isso vale, principalmente, se sua intenção é ter renda oriunda de dividendos pagos por essa empresa.

De modo geral, o trabalho de assessoria passa por potencializar ao máximo os rendimentos dos investidores, respeitando sempre o perfil de risco, objetivos e horizonte de tempo. Faz parte, portanto, passar ao investidor racionalidade na alocação e manutenção da carteira ao longo dos anos, sem uso de “bola de cristal”, mas atenção aos sinais que, por vezes, são claros e, em outros momentos, escondem-se atrás de situações do dia a dia, como no caso do papelão ou no índice de restaurantes.

Fica aqui o convite para uma conversa sobre investimentos, momento econômico e cenários possíveis.

Bons investimentos!

Uma assessoria de investimentos altamente qualificada pode fazer toda a diferença nos seus investimentos. Conheça nosso time e invista pela XP Investimentos.