Não me avisaram isso antes

Há alguns anos atendendo operadores profissionais, iniciantes e alguns aventureiros, percebi que é preciso ter o perfil muito específico para ter sucesso em operações de curto prazo. Não é o meu caso e, o nome desta coluna evidencia muito bem o que podemos encontrar por aqui. A luneta está devidamente apontada para o longo prazo neste pedaço do site.

Em tempos de baixa taxa de juros, muito se fala sobre custo de oportunidade. De forma simples, podemos associar esse termo ao quanto o seu capital poderia ter valorizado no período em que o investidor não fez uma boa alocação ou, até mesmo, não investiu. Esse conceito é bem relativo e encontramos diversas teses diferentes em setores de análise de bancos, corretoras e assets. Enquanto uns falam de taxa Selic como custo de oportunidade padrão, outros vão mais além e consideram Selic +2%. 

Acredito que podemos usar esse conceito para quase tudo que realizamos em nossa vida: um abandono de faculdade no fim do curso porque não estava feliz; a compra de ações de empresas de baixa qualidade e segurá-las por alguns anos; passar a vida inteira preso em um trabalho que não gostava, mas sempre com o sonho de empreender. É claro que não conseguimos mensurar e traduzir em taxas o custo de oportunidade desses exemplos, mas algo é evidente: o tempo perdido.

Todas as vezes que faço simulações de carteiras ou leio livros sobre buy and hold, me deparo com a força dos juros compostos. Nem mesmo um investimento equivocado pode doer tanto no peito de um investidor quanto o arrependimento de não ter começado antes. E pior, nesse caso, é possível traduzir em números, o que torna ainda mais dramática a situação.

A magia dos juros sobre juros costuma ocorrer entre o oitavo e o décimo ano de aportes e reinvestimento dos dividendos, em que a sua curva de patrimônio tende a subir exponencialmente. Um investidor que comprou Ambev em outubro de 2009 e reinvestiu os proventos teve um ganho de aproximadamente 167% até hoje. Se tivesse sido em Weg, pelo mesmo período, teria acumulado um ganho de 492% sobre o capital alocado nas ações da empresa.

Com o crescimento das companhias e aumento dos lucros, a tendência é que o dividendo pago seja cada vez maior, e é o que observamos historicamente nos mercados. Veja aqui o crescimento de proventos do Itaú nos últimos anos:

Fonte: site Relações com Investidores Itaú Unibanco

O acionista da empresa recebe o dividendo em dinheiro na conta corrente, e tem total liberdade para alocar a quantia onde quiser. Uma oportunidade interessante de comprar mais ativos geradores de renda e potencializar a bola de neve que os juros compostos nos proporciona. 

Se a potencialização do processo ocorre em aproximadamente 10 anos, o acúmulo de ações tende a fazer você receber cada vez mais dividendos e o reinvestimento deles faz com que o ciclo continue naturalmente. É muito simples notar que o tempo é, sem dúvida, um dos principais fatores nessa estratégia, e não apenas o valor financeiro que você tem disponível no momento. Não me avisaram isso antes.

Os maiores investidores do mundo começaram bem cedo e usaram essa técnica. A diferença entre eles é, na maioria das vezes, o critério de escolha das ações, o que pode ser um tema de discussão em um artigo no futuro. 

Eu, apesar de desejar, não preciso ser um dos maiores investidores do mundo para usar essa estratégia. E acredito que você também não! Ter por volta de 0,1% do capital do Warren Buffett já seria um belo instrumento de liberdade, não é? Daria algo em torno de U$ 80 milhões.

Começar o quanto antes é um recurso que você pode usar a seu favor hoje mesmo, ainda que não possua um capital financeiro muito grande no momento. Seja qual for o seu objetivo, a consistência nos aportes e o foco no longo prazo são a ponte para encurtar a distância. 

Aproveite!

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