Como investir de forma empreendedora

Se você busca rentabilidade acima da média em seus investimentos e evolução vigorosa de seu patrimônio, é imprescindível agir com empenho, esforço, resiliência e persistência. O que caracteriza um ótimo investidor é a dedicação de tempo em conhecer todas as variáveis que envolvem uma tomada de decisão em investimentos. Nos últimos tempos, foi cunhada a expressão “Investidor empreendedor”. Vamos ao longo do artigo entender do que se trata.

Vivemos um momento em que o juro real no Brasil (juros menos a inflação) está chegando em sua mínima histórica. O impacto é significativo nos retornos dos investimentos, exigindo do investidor ação pró-ativa e diligência na busca por rentabilidade crescente e contínua.

E como fazer isso na prática?

  1. Saiba qual é o seu perfil de investidor.

    Antes de começar todo o trabalho de montagem de um portfólio de qualidade, é necessário saber o seu perfil de investidor. Basicamente, são três tipos: conservador, moderado ou agressivo. Essa informação é obtida por meio de um questionário de perfil de investidor disponível na plataforma da instituição financeira em que possui conta. As perguntas visam a identificar o nível de tolerância ao risco.

  2. Acompanhar o cenário econômico.

    Você deve buscar conhecimento e acompanhar o cenário econômico doméstico (Brasil) e global (mundo), para considerar suas perspectivas, desdobramentos e riscos. Desse conjunto de fatores, são extraídas as potenciais oportunidades de alocação para seus recursos que venham a resultar em retornos significativos ao longo do tempo.

  3. Distribuir/diversificar seus recursos entre as classes de ativos.

    A partir desse momento, com base no seu perfil de investidor, horizonte para o investimento e alinhamento com o cenário econômico definirá quais percentuais distribuirá nas classes de ativos disponíveis, dando forma à sua carteira.

    Exemplos:  um investidor com perfil conservador pode alocar seus recursos distribuindo 80% para renda fixa pós-fixada e os 20% restantes, para renda fixa prefixada, renda Fixa indexada à inflação e até um pequeno percentual em fundos de ações ou fundo internacional.

    Já um investidor com perfil agressivo pode montar seu portfólio distribuindo 30% entre as classes de renda fixa pós e prefixada, renda fixa indexada à inflação e os outros 70% distribuir entre fundos multimercados, fundos de ações, fundos imobiliários, ações e fundos internacionais.

  4. Escolher os produtos de forma adequada.

    Este é um momento que requer disciplina. A escolha dos produtos financeiros adequados é de extrema importância na composição de uma carteira de qualidade.

    Há detalhes importantes que você deve considerar: não se limitar a observar a rentabilidade dos últimos 12/24/36 meses; seguir conselhos de pessoas que não estão inseridas no dia a dia do mercado financeiro ou de profissionais que atuam no mercado financeiro, porém de forma generalista (sem especialização em investimentos).

Alguns exemplos do que observar no momento de escolher os produtos que irão compor seu portfólio:

Nos títulos de renda fixa privados (CDB/LCI/LCA/CRI/CRA, debêntures), deve-se ter atenção para os emissores do título, sua classificação de crédito junto às agências de classificação de risco (S&P, Fitch, Moody´s), vencimento do título e taxa oferecida. Tudo alinhado com o potencial que o cenário econômico oferece.

No caso dos fundos de investimentos, deve-se concentrar sua atenção na empresa  gestora do fundo (como é avaliada no mercado) , na  experiência e histórico profissional  de seus gestores (onde trabalharam e quais  funções  exerceram),  no objetivo do fundo,  política de investimento,  desempenho/rentabilidade dos últimos meses/anos, sua relação risco/retorno (índice sharpe), volatilidade histórica.

Todas essas informações podem ser extraídas no material de divulgação/lâmina dos fundos, os quais ficam disponíveis nas plataformas da instituição financeira e no site da gestora do fundo.

Aqui vale citar que, eventualmente, pode ser necessário buscar conhecimento de conceitos, como índice sharpe, por exemplo, para tornar sua análise mais eficaz.

Se quiser montar uma carteira de ações, que irá compor parte de sua alocação em renda variável, poderá acompanhar as recomendações da área de research de sua corretora, casas de análise independentes ou fazer você mesmo a análise das ações. Se a opção for montar a própria carteira, é preciso conhecimento de fundamentos (múltiplos, geração de caixa, cálculo do preço justo) ou escolher os papéis por meio da utilização da Análise Técnica (padrões gráficos, indicadores, Price Action).

Perceba que nesse ponto precisará, caso não tenha ainda, buscar conhecimento em áreas como contabilidade, matemática financeira, Análise Técnica, que são muito importantes para que se tenha mais segurança e melhor desempenho em sua tomada de decisão.

Fundos imobiliários têm ganhado bastante destaque dada sua característica de gerar renda isenta de IR e, ao mesmo tempo, valorizar-se significativamente ao longo do tempo.

Para escolher fundos interessantes, você pode consultar os relatórios de recomendações de sua corretora, casas de análise independentes ou consolidar, por conta própria, informações essenciais para a escolha desse tipo de investimentos, como: o fundo investe em shoppings, galpões logísticos ou edifícios comerciais? Os contratos de aluguéis são típicos ou atípicos? Qual a vacância? Qual o volume negociado? Qual Cap Rate? Qual P/VPA? Analisando estas, entre outras, informações, será capaz de tomar sua própria decisão.

E depois?

Passada a fase de escolha e alocação nos investimentos, a dinâmica passará a ser monitorar o comportamento da carteira ao longo do tempo. Medidas econômicas e outras mudanças de cenário podem requerer, quando necessário, eventuais ajustes. Oportunidades de mercado sempre surgirão, é preciso estar atento. A queda da taxa de juros no Brasil é o melhor exemplo sobre a importância de estar atento às mudanças de cenário.

Sem dúvida, a construção de um portfólio bem elaborado por meio de uma visão empreendedora requer muita disciplina. Mantendo o empenho, os resultados ao longo do tempo podem superar suas expectativas. Se, com o passar do tempo, você não apenas ganhar da inflação, mas a valorização de seu patrimônio acompanhar ou até superar o crescimento dos chamados ativos produtivos (imóveis, empresas, ações, commodities, etc.) seu trabalho terá sido altamente exitoso.

Cabe ressaltar aqui que um assessor de investimentos pode contribuir significativamente para esse empreendimento, dada sua especialidade. E, sem dúvida, sua vida de investidor será bem mais simples.

Para sintetizar o conceito de investimento com uma visão empreendedora, finalizo com uma frase de Benjamin Graham, o mentor de Warren Buffett: "Uma operação de investimento é aquela que, após análise profunda, promete a segurança do principal e um retorno adequado. Operações que não atendam esses requisitos são especulativas".

Pense nisso e bons investimentos!

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